A busca por respostas para os complexos desafios da saúde pública contemporânea exige mais do que excelência em ensino, pesquisa e inovação para transformar a saúde. Demanda trabalho em rede de forma interdisciplinar, produção e implementação de evidências e impacto real na sociedade. Essa foi a mensagem das lideranças acadêmicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que participaram da mesa de abertura do evento “Enfermagem em Evidência: Desafios, Inovações e Conexões que transformam a Saúde”, promovido pela Faculdade de Enfermagem (FEnf) e pelo Centro JBI Unicamp, no dia 10 de setembro. A cerimônia contou com a participação da Pró-reitora de Pós-graduação da Unicamp, Cláudia Viana Morelli; da Diretora da FEnf, Profa. Dra. Roberta Cunha Matheus Rodrigues; da Coordenadora de Pós-graduação da FEnf e Diretora do JBI Unicamp, Flávia de Oliveira Motta Maia; do Conselheiro do COREN-SP, Kenny Paolo Ramponi; e do representante discente da FEnf/Unicamp, Giovane Bento Paulino.

Para a diretora da FEnf, Profa. Dra. Roberta Cunha, o tema do encontro coloca a evidência da enfermagem em uma dupla dimensão. “A evidência como ciência capaz de produzir respostas rigorosas para os desafios da saúde, e a evidência como visibilidade, tornando visível a contribuição da enfermagem para a sociedade, para os sistemas de saúde e para a transformação do cuidado”, afirmou.
A pró-reitora de Pós-graduação da Unicamp, Cláudia Viana Morelli, enfatizou o protagonismo da Unicamp em redes internacionais de pesquisa voltadas a temas globais e a importância da construção de caminhos por meio de conexões estruturadas para vencer as complexidades contemporâneas. “O fortalecimento da pós-graduação passa inevitavelmente pela capacidade da universidade de gerar conexões sólidas e internacionais que garantam que o conhecimento gerado transforme efetivamente a sociedade e a atenção à saúde”, disse.
A programação contou a mesa-redonda “Diálogos sobre desafios, oportunidades, inovações e impacto da produção em Enfermagem”, que reuniu representantes das principais instituições de fomento à ciência brasileira – CAPES, CNPq e FAPESP, as quais defenderam a avaliação científica baseada em qualidade, priorizando a trajetória e a liderança do pesquisador, e o impacto social da pesquisa.



Para a Profa. Dra. Ana Karina Bezerra Pinheiro, da coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior da CAPES, a pós-graduação brasileira precisa romper com a lógica do produtivismo acadêmico e com a divisão excessiva de teses em múltiplos artigos. “O foco deve ser o conhecimento relevante e socialmente útil, em que um único artigo de alto impacto vale mais do que volume de publicações sem sentido”, considerou.
Adriana Cristina de Oliveira, da coordenação dos programas de pesquisa da área de Ciências da Saúde do CNPq, destacou a trajetória individual do pesquisador, sua liderança e sua contribuição efetiva para a pesquisa. “Nesse sentido, redes de colaboração são importantes e necessárias, mas a posição de autoria nas publicações e a autonomia do pesquisador começam a ganhar relevância”, declarou.
Por sua vez, Regina Szylit, da coordenadoria geral da área Ciência da Saúde 4 da FAPESP, chamou a atenção para a importância de os pesquisadores identificarem a fase da carreira para elaborar e submeter propostas competitivas e alinhadas aos editais. Também ressaltou que “a FAPESP aumentou os investimentos em infraestrutura de pesquisa e está iniciando chamadas estratégicas voltadas para políticas públicas e equidade em saúde”, completou.

A segunda mesa-redonda do dia, mediada pela Profa. Dra. Daniela Fernandes dos Santos Alves, da FEnf, discutiu a saúde baseada em evidências científicas e seu impacto na formação, na pesquisa e na prática profissional. Participaram do debate a Profa. Dra. Flávia de Oliveira Motta Maia e Bianca Pilla, diretora de Relações Globais da Universidade de Adelaide, que enviou uma mensagem gravada em vídeo devido à diferença de fuso horário.
O evento marcou também um momento histórico para Faculdade de Enfermagem da Unicamp, a consolidação do JBI Universidade Estadual de Campinas Evidence Based Healthcare Research Centre, sediado na FEnf e vinculado à Universidade de Adelaide, na Austrália. Segundo a diretora do JBI Unicamp e coordenadora de pós-graduação da FEnf, Flávia de Oliveira Motta Maia, a consolidação do centro — o segundo da instituição no Brasil e na América do Sul — projeta a enfermagem nacional internacionalmente. “A conquista amplia o impacto da universidade na saúde baseada em evidências ao fortalecer a pesquisa e a formação acadêmica. Além disso, cria conexões para que a ciência chegue de forma prática à rotina dos profissionais e ao atendimento dos pacientes”, frisou.
A importância da cooperação científica internacional foi o tema central da palestra ministrada pela Profa. Dra. Vilanice de Araújo Alves Püschel, diretora do JBI Brasil. Com o título “Conexões que transformam a saúde: redes de pesquisa e inovação em saúde”, a apresentação precedeu uma homenagem à Püschel, reconhecida publicamente no evento como uma das principais articuladoras e incentivadoras da implementação do JBI Unicamp.

Ao conectar a comunidade acadêmica aos principais órgãos financiadores da ciência brasileira, o evento esclareceu os caminhos para a captação de recursos e reafirmou o papel estratégico do JBI Unicamp. A atuação do centro passa a constituir um elo fundamental entre o financiamento científico, a produção de conhecimento rigoroso e sua aplicação prática na atenção à saúde e no atendimento à sociedade.
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